Será que o susto passou?
Alencar Garcia de Freitas *
O mercado dos grandes negócios no mundo todo acaba de levar um tremendo susto. No primeiro momento, a idéia era de que a trágica depressão de oitenta anos atrás estava de volta. Os países ricos – e põe ricos nisso – é que ficaram mais apavorados. Foi um corre-corre doido dos norte-americanos e de alguns países europeus para apagar o incêndio. De onde parecia que não viria dinheiro, surgiu, na hora do sufoco, uma montanha quase incalculável de dólares para salvar alguns bancos, ex-poderosos, da quebradeira geral e do conseqüente risco de fechamento da Bolsa de Nova York, como no fatídico 1929.
No corre-corre para salvar a banca mundial, a Alemanha foi a que mais disponibilizou recursos – US$677 bilhões – para um fundo que mais parecia sem fundo. De todos os ricos – a própria Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, França, Espanha, etc – ela era a que talvez tivesse mais motivo para não embarcar nessa gangorra louca. Afinal, não faz tanto tempo assim que ela saiu de uma guerra devastadora e de uma penosa reunificação; agigantou-se e agora comparece com a maior parcela de contribuição para acalmar o mercado em desespero. Só mesmo um povo corajoso, determinado, organizado e solidário como o alemão seria capaz de fazer o que fez para diminuir os estragos causados à economia mundial em grande parte por culpa da desastrosa política imobiliária norte-americana. Talvez seja esse o ponto mais positivo desse quase desastre econômico mundial.
Depois das fabulosas montanhas de dólares injetados na economia mundial por obra dos países ricos, o mundo parece respirar aliviado. Tomara.
Nesse episódio todo, queiram ou não os defensores desse socorro de última hora para evitar a quebradeira geral da banca mundial, algo aqui merece ser focado com bastante tristeza: Desgraçadamente os bancos continuam, como sempre, ganhando muito dinheiro com a especulação imobiliária e com todas as operações de crédito, lá e aqui. Quando estão ganhando – e sempre muito – sequer procuram socializar os lucros, mas quando vêem os prejuízos batendo em suas portas, põem a cara de fora, sem nenhum pudor, e pedem logo socorro para socializar os prejuízos.
A ACV – Associação Comercial de Vitória, centenária entidade de empresários que já viu esse filme em 1929, está trazendo para um dos seus cafés de negócios, no dia 21 de outubro, no horário da manhã, o assunto Bolsa de Valores, com uma oportuna palestra pelo agente Wender Cunha de Paula, certificado pela CVM, especialista nessa área.
No fundo, no fundo, sem dúvida a operação salva-vida que acaba de ser posta em prática pelos países ricos, vai salvar da falência, pelo menos por enquanto, alguns dos mais poderosos bancos dos Estados Unidos e da Europa; mas será que com isso o susto passou, ou vamos ter que enfrentar outros iguais ou até maiores? Vamos pedir a Deus que o susto tenha passado definitivamente e que as bolsas de valores do mundo voltem a operar mais calmamente, pelo menos por algum tempo.
*Alencar Garcia de Freitas é jornalista e Secretário Executivo da Associação Comercial de Vitória














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