Brasil: um país politicamente incorreto
Visando analisar a situação política brasileira, busquei observar alguns aspectos de nossa sociedade nas fontes mais históricas da nossa democracia. Ocorreu-me, portanto, uma percepção, um tanto que conhecida na psicologia humana, denominada dejavú. Essa idéia de que ‘já aconteceu isso comigo antes’ foi bem clara quando, diante dos meus olhos, apareceram nomes já conhecidos por todos nós dentro da política nacional e que ainda estão nos cargos públicos. A partir desse momento, não tive dúvidas, meu dejavú era claro, estava revendo os dinossauros do filme Jurassic Park.
Nomes conhecidos, pela mídia, devido aos vários escândalos, tendo como exemplo, os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor de Mello. Sabe-se que a família Sarney detém um forte coronelismo em seu estado de origem, o Maranhão, dominando os meios midiáticos e fazendo de sua população uma das mais sofridas do Brasil. Nos mesmos trilhos, está a família Collor em Alagoas, que monopoliza o cotidiano alagoano extorquindo-lhe alguns de seus direitos mais básicos de vida. Apesar de Sarney estar envolvido em denúncias ligadas ao nepotismo, manipulação de concorrência entre empresas, bem como ter censurado o jornal Folha de São Paulo, por denunciar seu filho, o ex-presidente da República detém o atual cargo de presidente do Senado Federal, e não pretende deixá-lo. Nos mesmos passos do maranhense, Collor detém o cargo de Senador, mesmo tendo sofrido impeachment, que o tirou do Palácio do Planalto, por suposta corrupção do dinheiro alheio.
Mas a análise jurássica não termina somente nisso. Muitas ‘múmias’ ainda se arrastam pelos corredores da Brasília, como se fossem almas penadas em um cemitério. Um cemitério onde os vivos são obrigados a fazer silêncio. Poderíamos escrever uma bíblia, sobre o número de pessoas que cometeram atos ilícitos e não foram punidos justamente, mas há que se atentar ao fato de que a sociedade brasileira detém ‘memória ram’, ou seja, temporária, e não se lembra das insanidades aprontadas na capital federal. Alguém sabe o nome da deputada que fez uma ‘dançinha’ dentro de uma sessão de votação? E o deputado que afirmou estar se ‘lixando’ para a opinião publica? E os mensaleiros? E os mensalinhos? Sinceramente, são questionáveis alguns fatos acontecidos em nosso país devido à falta de punição para com tais indivíduos que fazem do dinheiro público uma Zorra Total.
Atualmente assistimos atônitos o segundo caso envolvendo o ex e atual Ministro Antônio Palocci. Exato! O mesmo que caiu do seu cargo de ministro, no governo Lula, agora está sendo ameaçado por suspeitas relacionadas ao seu patrimônio não condizer com seus honorários. De acordo com as acusações, Palocci teria seu patrimônio multiplicado por 20, em quatro anos, ou seja, a cada ano ele quintuplicava seus bens. Se Palocci não resistir novamente, pode viver de palestras sobre como aumentar seu patrimônio de forma rápida. Enquanto Palocci arquiteta um plano com seus seguidores – e não faço referência aos twitteiros que seguem seus passos – a oposição busca participar dos holofotes políticos criando estardalhaços com CPIs e exigindo que o ministro dê explicações sobre tais suspeitas. Já que o inimigo está no chão, a ordem é exterminá-lo e, para isso, ACM Neto vem se achando o Exterminador do Futuro, abrindo fogo ‘amigo’ e argumentando que Palocci conceda explicações ao Congresso. Oras, se fossemos colocar tudo às claras, o baiano também tem que esclarecer muitas de suas atitudes no Congresso Nacional, como o caso do ‘Panetone do Arruda’. Ocorre que isso já passou e ninguém mais se lembra disso. Vamos para o próximo caso que a mídia ditará em nossas discussões – a chamada agenda setting.
A situação é cômica para não dizer lamentável. A politicagem que impera em nosso país é tanta que o ex-presidente Lula gaba-se dos frutos petrolíferos plantados por Getúlio Vargas, na década de 50. E para jogar mais álcool na fogueira, houve a descoberta do pré-sal. Mesmo sob o teto da tão sonhada democracia ateniense, o povo brasileiro ainda vive sob o regime dos coronéis, que impõem o cabresto na hora do voto. Lamentavelmente, não sabemos qual rumo tomará esse Parque dos Dinossauros que se transformou Brasília nos últimos anos, com espécies que não pretendem se extinguir nas próximas eleições, pois se fortalecem geneticamente mais diante dos antibióticos populares, através de mutações que os torna verdadeiros faraós em seus gabinetes, mandando em toda uma nação. “Eleitores de todo o Brasil, uni-vos!”
Reuber Diirr
Comunicação Social – UFES




