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jul
22

Jornalismo X Internet: Uma Leitura Política

Rinaldo Barros

O impacto que a Internet provocou na sociedade,  principalmente nos meios de comunicação, faz dela um fenômeno muito maior do que apenas mais uma mídia.

Trata-se, na verdade, de uma questão política estratégica importante.

A maioria concebe a Internet apenas como uma imensa rede de computadores interligados. Sem dúvida isso é verdade, mas apenas do ponto de vista técnico. A Internet é um fenômeno muito mais amplo do que os computadores que a compõem e mais abrangente do que as informações que nela trafegam.

Deve ser compreendida como um novo espaço social.

Nessa gigantesca rede, onde trafega diariamente uma infinidade de informações, pessoas se conhecem, se relacionam, se apóiam, se criticam, trocam opiniões, sem jamais se terem visto ao vivo e em cores. Sua característica mais intrigante é ser um ambiente virtual onde estranhos se relacionam, criam, mentem, desabafam, informam e denunciam.

Lembro aqui que os fatos da recente eleição do Irã, quando a imprensa internacional foi proibida de cobrir os atos repressivos, com o exército atirando no povo, as denúncias correram o mundo através da Internet, com vídeos amadores gravados em celulares. A Internet funcionou e mostrou-se mais poderosa do que o regime ditatorial iraniano.

Ou seja, estamos falando de uma questão eminentemente política.

Claro. Como se pode pensar em política sem pensar em comunicação, informação, persuasão, e formação de imagem?

É bem verdade que a Internet (ainda) não desempenha um papel decisivo nos processos eleitorais, inclusive como forma de arrecadação de fundos para a campanha.

Mas, isso é uma mera questão de tempo.

O leitor (eleitor), atualmente, por conta da rede mundial de computadores e dos celulares, tem a possibilidade de sair da passividade e exercer sua função de “unidade independente de comunicação”.

Você pode ser um veículo de comunicação. Todos podem.

Podemos produzir e distribuir informação praticamente sem custo e com alcance global.
Cada um de vocês, caros leitores, pode criar um site e editar o seu próprio jornal, revista ou panfleto. É só querer e investir tempo para tal. É possível até ganhar dinheiro vendendo espaço em seu site.

Mas, você é “livre”: pode escolher entre acompanhar a revolução ou ser atropelado por ela. Quem ficar alheio a Internet se tornará obsoleto, perderá o trem da história, muito antes de ter condições de perceber que isso aconteceu.

Sem dúvida, a Internet supera o uso mais comum da expressão “meio de comunicação”. Essa concepção, geralmente, é associada à idéia de “comunicação de massa”. Com a Internet, é mais apropriado falar de “meio de comunicação social”.

A mídia, os meios de comunicação de massa, não permite interação entre usuários ou entre usuários e produtores de conteúdo.

Com a Internet, mídia descentralizada, os usuários podem escolher o que vão ler, quando ler, com quem querem interagir e, ainda, escrever também e opinar sobre o conteúdo do que lêem com os respectivos produtores ou com outros usuários.

A capacidade de ser fonte de informação e o seu aspecto social global faz da Internet única e muito poderosa: um perigo e uma ameaça real para os autoritários e candidatos a ditadores. Como disse, trata-se de uma questão política da maior relevância.

Tanto é assim que a Câmara dos Deputados votou mecanismo impondo restrições à Internet semelhantes às que já existem para rádio e TV. Atitude que revela o medo da renovação, o desconhecimento sobre o funcionamento da rede, e o menosprezo pela sua importância para a democratização da informação.

Os parlamentares cometem crime de lesa-democracia. Pior, criaram uma letra morta, sem efeito social; porquanto a vida continuará bancando o jogo: “quem não se comunica se trumbica”

A todos os comunicadores, poetas, visionários, piratas, hackers, anarquistas e loucos, com ou sem diploma, desejo muito sucesso na multiplicação dos espaços de liberdade.

O que vai acontecer no futuro? Não sei. Mas, o exercício do poder será bem mais complexo.

Maktub!

Rinaldo Barros é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, desde 1988. Está participando como convidado do Programa de Pós-doutorado da Unidad de Estudios en Desarrollo da Universidad Autónoma de Zacatecas – UAZ, no México, com o projeto Políticas Públicas para a Ciência e Tecnologia: as nanotecnologias no Brasil.

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