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	<title>Jornal da AEI</title>
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	<description>O mundo da comunicação no Espírito Santo</description>
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		<title>Notícias sobre a inexistência de Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 19:04:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aeiadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>

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		<description><![CDATA[Eugênio Bucci 
Uma notícia bombástica, que circulou há poucos dias, passou sem maior estardalhaço: Deus não existe. Ou, para sermos um pouco mais precisos, Deus existe apenas dentro da cabeça dos humanos. O autor da descoberta, o português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, foi categórico na entrevista que concedeu por e-mail a Ubiratan Brasil, publicada no &#8220;Caderno2&#8243; do Estado de S.Paulo (sábado, 17/10):
&#8220;Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><strong>Eugênio Bucci </strong></p>
<p>Uma notícia bombástica, que circulou há poucos dias, <span id="more-485"></span>passou sem maior estardalhaço: Deus não existe. Ou, para sermos um pouco mais precisos, Deus existe apenas dentro da cabeça dos humanos. O autor da descoberta, o português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, foi categórico na entrevista que concedeu por e-mail a Ubiratan Brasil, publicada no &#8220;Caderno2&#8243; do <em>Estado de S.Paulo</em> (sábado, 17/10):</p>
<p>&#8220;Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles.&#8221;</p>
<p>De passagem pela Itália, na semana passada, Saramago aproveitou para provocar um pouco mais:</p>
<p>&#8220;Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem.&#8221;</p>
<p><strong>Carne e osso</strong></p>
<p>Ora, pois. Como bem observou o jornalista Luís Antônio Giron, na revista <em>Época</em> desta semana, &#8220;nada mais lucrativo que irritar sacerdotes. É um hábito arraigado de Saramago, intelectual português de 86 anos que professa a fé marxista desde quase bebê&#8221;. No mais, os jornais e as revistas não dedicaram espaços exagerados à polêmica, no que têm suas razões. Afinal, essa informação sobre a inexistência de Deus tem um quê de coisa velha, artificialmente requentada. Tem sempre esse sabor de revelação bombástica, mas não é a primeira vez que aparece. Nem a segunda. No dia 8 de abril de 1966, a revista <em>Time</em> circulou com uma capa histórica. Sobre fundo negro, vinha estampada a pergunta perturbadora: &#8220;Deus está morto?&#8221;</p>
<p>Não consta que o semanário americano tenha oferecido a seus leitores uma resposta conclusiva. A questão ficou em aberto – mas, já naquela época, era antiga. O filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) já se tinha ocupado do assunto bem antes da <em>Time</em>: &#8220;Deus morreu! Deus continua morto! E nós o matamos!&#8221; E muito antes dele, na Grécia antiga, outro filósofo, Epicuro (século 3º antes de Cristo, Cristo este que não teve a existência contestada pelo escritor), ensinara que os átomos de que os deuses são feitos não se confundem nem se misturam com os átomos que nos constituem a nós, humanos.</p>
<p>Certamente, os átomos de que falavam os gregos não eram exatamente esses com que lidamos hoje nos laboratórios, mas a ideia continua válida: os deuses (ou &#8220;o&#8221; Deus, como querem os monoteístas) não pertencem ao nosso domínio, não temos como alcançá-los, nem deveríamos perder tempo com essas veleidades. Epicuro pregava que os deuses não se incomodam conosco, nem um pouco. Se existem, habitam outra dimensão, bem longe do nosso mundo.</p>
<p>Sendo assim, a imprensa, que vive de descortinar novidades, tem suas fundamentações para esnobar Saramago: ele não anuncia novidade alguma. A notícia que ele proclama é de anteontem. Mesmo as religiões, que falam em nome de Deus, sem, no entanto, provar cientificamente sua existência, já não desfrutam o prestígio que um dia experimentaram.</p>
<p>Há dois anos saiu no Brasil um livro de Richard Dawkins, <em>Deus, um Delírio</em> (Companhia das Letras, 2007), que repassa argumentos, não de todo novos, sobre os males causados pelas religiões, como os massacres cometidos sob justificativas supostamente divinas. Diante de tantas atrocidades, não é difícil concluir que o fanatismo é o próprio Satã encarnado sobre a Terra. A propósito, acaba sendo injusto, sumamente injusto, ou melhor, demoniacamente injusto, atribuir a Deus a culpa por torturas e genocídios praticados por gente de carne e osso. Se ele, como postulam Saramago e Dawkins, não existe, como poderia ser culpado?</p>
<p><strong>Pito no patrício</strong></p>
<p>No fim das contas, a afirmação do autor português só tem um problema. Ao dizer que Deus só existe na cabeça daqueles que nele creem, ele acaba caindo em contradição. Pense bem o leitor: o que é que existe de fato fora da cabeça das pessoas? A literatura, por acaso? Ora, a literatura só existe dentro da cultura e da linguagem – e a cabeça das pessoas não é feita de outra matéria que não os signos da linguagem (os pretensos materialistas que se insurgem contra isso não se deram conta, ainda, de que os signos são matéria). Isso quer dizer que a literatura também só existe na cabeça das pessoas – não há de ser nas estantes das bibliotecas que ela existe.</p>
<p>No mais, tudo aquilo que a ciência descreve e explica, igualmente, só vai adquirir sentido na cabeça das pessoas. Onde mais? Nessa perspectiva, as coisas todas, boas ou más, concretas ou abstratas, só ganham existência no nosso repertório quando a elas damos nomes. O resto está fora da linguagem e, quanto ao que está fora da linguagem, o que sabemos de fato existir ou inexistir? Nem mesmo o verbo existir, nem ele, existe fora da linguagem. E nem Saramago. Isso mesmo: nem Saramago. Também ele existe na cabeça das pessoas, e só aí sobreviverá por algum tempo, depois que seu corpo desaparecer. Se dele, Saramago, apenas o corpo existir, pobre Saramago. A cabeça das pessoas, enfim, é um bom lugar para se existir. Às vezes, é o único.</p>
<p>Estamos, portanto, de volta ao ponto de partida. Deus existe? Para tomar café com o papa, é bem provável que não. Mesmo assim, uma autoridade eclesiástica, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, padre Manuel Morujão, achou por bem passar um pito em seu conterrâneo: &#8220;Um escritor da craveira de José Saramago deveria ir por um caminho mais sério.&#8221; Talvez a ele, Morujão, pudéssemos dizer: um sacerdote deveria ir por um caminho mais tolerante. O que pouco importa. Essa pendenga toda não vale uma Igreja. Não vale sequer um Nobel. Mas bem que valeu um artigo.</p>
<p align="right">Reproduzido do <em>Estado de S.Paulo</em>, 22/10/2009; intertítulos do <em>OI</em></p>
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		<title>Uma contribuição que os jornais populares poderiam dar</title>
		<link>http://imprensacapixaba.org.br/uma-contribuicao-que-os-jornais-populares-poderiam-dar/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 18:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aeiadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Headline]]></category>

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		<description><![CDATA[Os jornais ditos populares poderiam, muito bem, ter, entre seus objetivos e sua missão, um item a mais, além de ganhar dinheiro: melhorar o nível do público brasileiro. Eles podem. Na verdade, isso deveria ser uma obrigação desses jornais. Estão baseados em uma fórmula antiga: mulher nua, esportes, escândalos, crimes e, agora, serviços para aposentados. Mas seu grande trunfo é um preço de capa altamente atrativo, menos de 1 real em alguns casos. Assim, conseguem números muito expressivos, em termos de venda avulsa.
O Super Notícias, de Belo Horizonte, por exemplo, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os jornais ditos populares poderiam, muito bem, ter, entre seus objetivos e sua missão, um item a mais, além de ganhar dinheiro: melhorar o nível do público brasileiro. Eles podem. Na verdade, isso deveria ser uma obrigação desses jornais. Estão baseados em uma fórmula antiga: mulher nua, esportes, escândalos, crimes e, agora, serviços para aposentados. Mas seu grande trunfo é um preço de capa altamente atrativo, menos de 1 real em alguns casos. Assim, conseguem números muito expressivos, em termos de venda avulsa.</p>
<p>O <em>Super Notícias</em>, de Belo Horizonte, por exemplo, é um fenômeno: chega a uma venda avulsa, média, de 295 mil exemplares diários. Com essa tiragem, o volume mensal de dinheiro (supondo um preço de capa de 25 centavos de real) proveniente de circulação chega a 2, 2 milhões de reais. Pode até ser pouco, para o tamanho da operação, mas essa receita é fortemente reforçada com as chamadas promoções.</p>
<p>No Rio de Janeiro, o <em>Extra</em> vende 240 mil exemplares por dia, o <em>Meia Hora</em> 176 mil e o <em>Expresso da Informação</em>, outros 77 mil. No Rio Grande do Sul, o <em>Diário Gaúcho</em> chega aos 144 mil exemplares por dia. Em São Paulo, o fenômeno venda avulsa parece não ser tão forte: o <em>Agora São Paulo</em> fica apenas nos 64 mil, complementados por 24 mil assinantes. De todos, o <em>Agora</em> é o único que trabalha com assinaturas.</p>
<p>(A fuga das bancas, principalmente em São Paulo, vem sendo discutida por marqueteiros das editoras e dos jornais. Alguns atribuem o fato à falta de segurança: parar em uma banca pode ser um convite ao assalto. Outro, às próprias condições da cidade: o cidadão hoje trabalha ponto-a-ponto. Vai do estacionamento da empresa à garagem de casa. Mas são hipóteses insatisfatórias: e os milhões que usam metrô e ônibus?)</p>
<p><strong>Bancas e assinaturas</strong></p>
<p>É claro que a discussão sobre o futuro dos jornais impressos diante da revolução da informática fica meramente acadêmica. Jornais impressos, neste momento, no Brasil, vendem.</p>
<p>Mas é possível discutir esse fenômeno diante do que ocorre com os jornalões, com sua circulação baseada, principalmente, em assinaturas. A postura do cidadão que se desloca até uma banca ou algum ponto de venda alternativo para comprar seu jornal é bem diferente daquele faz uma assinatura.</p>
<p>A <em>Folha de S.Paulo</em>, hoje, tem 276 mil assinantes e inexpressivos 20 mil exemplares de venda avulsa diária. <em>O Globo</em> tem 213 mil e o <em>Estadão</em> 175 mil assinantes. Os gaúchos também vão bem de assinaturas: 166 mil para <em>Zero Hora</em> e 152 mil para o <em>Correio do Povo</em>. A venda avulsa, para estes, fica entre 15 e 20 mil exemplares por dia, com exceção do <em>Estadão</em>, que vende em média mais de 30 mil exemplares diários. No Rio, o total de jornais vendidos diariamente supera o de assinaturas.</p>
<p><strong>Rentabilidade preservada</strong></p>
<p>O assinante, muitas vezes, nem abre seu jornal. Alguns até deixam acumular, para ler no fim de semana.</p>
<p>Já o cidadão que foi à banca está motivado para ler aquele jornal. Seja pela fofoca da velha atriz e seu marido jovem, seja pela vitória do seu time, seja pela bela mulher da capa, seja pelo sequestro daquela celebridade – ele está motivado. E mais motivado ainda pelas promoções, com prêmios às vezes mirabolantes, às vezes muito simples.</p>
<p>Esta motivação torna o leitor receptivo para tudo o mais que o jornal trouxer – e aí é que há uma boa oportunidade para melhorar o nível desse público: o jornal &#8220;popular&#8221; poderia ter também uma função educativa.</p>
<p>Sem prejuízo dos objetivos de marketing, usando o mesmo tipo de linguagem em textos curtos, esses jornais poderiam enriquecer suas páginas internas. Os jornalões têm seus cadernos de &#8220;Cultura&#8221; e &#8220;Economia&#8221; e muitas vezes mantêm ali uma postura pedante. Esse não é o caminho para os populares.</p>
<p>Dez ou quinze linhas sobre o país para onde foi vendido o jogador, ou dez linhas para contar por que tal ator é chamado de shakespeariano, ou ainda um contra-e-a-favor curtinho sobre a barragem do São Francisco são modestos exemplos do que poderia ser feito.</p>
<p>É um tema e um desafio que fica para a consciência desses profissionais, os editores dos jornais populares, que têm acesso a milhões de brasileiros que sabem ler e leem: levar para eles alguma leitura de melhor qualidade, sem matar a galinha dos ovos de ouro.</p>
<p align="right"><strong>Por José Carlos Marão, em 20/10/2009</strong></p>
<p>Extraído do <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/">http://www.observatoriodaimprensa.com.br/</a></p>
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		<title>Cachoeiro sedia Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 19:28:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aeiadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Folclore]]></category>

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		<description><![CDATA[Pela primeira vez, todos os grupos folclóricos de jongo e caxambu em atividade no Espírito Santo vão ter a oportunidade de se encontrar para trocar experiências e discutir os rumos dessas manifestações da cultura popular no Estado. Será realizado no próximo sábado (03) e domingo (04), na localidade de Vargem Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.
Durante o encontro, que vai ser aberto a toda população, vão ser promovidas oficinas para as lideranças dos grupos, apresentações folclóricas e reflexões sobre as atuais condições dessas expressões ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-478" title="Jongo" src="http://imprensacapixaba.org.br/wp-content/uploads/2009/10/Jongo.jpg" alt="Jongo" width="200" height="143" />Pela primeira vez, todos os grupos folclóricos de jongo e caxambu em atividade no Espírito Santo vão ter a oportunidade de se encontrar para trocar experiências e discutir os rumos dessas manifestações da cultura popular no Estado. Será realizado no próximo sábado (03) e domingo (04), na localidade de Vargem Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.</p>
<p>Durante o encontro, que vai ser aberto a toda população, vão ser promovidas oficinas para as lideranças dos grupos, apresentações folclóricas e reflexões sobre as atuais condições dessas expressões culturais.</p>
<p>O evento vai reunir 12 grupos de oito municípios que são: Cachoeiro, São Mateus, Conceição da Barra, Itapemirim, Presidente Kennedy, Alegre, Muqui e Jerônimo Monteiro. Cada um deles vai levar à Vargem Grande 30 de seus componentes. Representantes de grupos dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, todos registrados como patrimônio cultural nacional, também confirmaram presença no encontro.</p>
<p>São parceiros na iniciativa a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Prefeitura de Cachoeiro, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Cultura (Minc), Pontão de Cultura Jongo/Caxambu e a Associação de Folclore de Cachoeiro.</p>
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		<title>Condenação da Globo é exemplo pedagógico do controle público e social da mídia</title>
		<link>http://imprensacapixaba.org.br/condenacao-da-globo-e-exemplo-pedagogico-do-controle-publico-e-social-da-midia/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 21:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aeiadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Headline]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Em decisão de caráter liminar proferida no dia 15 de setembro, o juiz Gustavo Henrique Cardozo Cavalcante, do Fórum de Trairi(CE), condenou a TV Globo a não produzir e exibir cenas de provas do programa “No Limite” que envolvam animais. A condenação é resultado de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Ceará, a partir de representação da União Internacional Protetora de Animais (UIPA) na qual constam as denúncias de maus tratos a animais em quadros do programa, “mix de gincana com reality show”, segundo descrição da emissora.
Entre ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em decisão de caráter liminar proferida no dia 15 de setembro, o juiz Gustavo Henrique Cardozo Cavalcante, do Fórum de Trairi(CE), condenou a TV Globo a não produzir e exibir cenas de provas do programa “No Limite” que envolvam animais. A condenação é resultado de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Ceará, a partir de representação da União Internacional Protetora de Animais (UIPA) na qual constam as denúncias de maus tratos a animais em quadros do programa, “mix de gincana com reality show”, segundo descrição da emissora.</p>
<p>Entre outras cenas que caracterizam os abusos, os participantes de “No Limite” foram submetidos a provas em que deveriam comer peixes vivos e ovos galados (com o feto do galo quase plenamente desenvolvido).</p>
<p>Os excessos veiculados motivaram protestos na Internet, manifestações públicas e denúncias ao Ministério das Comunicações, que afirmou não ter competência para tratar da questão.</p>
<p>Geuza Leitão, advogada cearense e presidente da UIPA, avalia a condenação como uma grande vitória do movimento de proteção aos animais. A ação baseou-se no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (lei 9.605/98) e no artigo 225 da Constituição Federal, que proíbem práticas de maus-tratos e crueldades com animais.</p>
<p>Na realidade, o Ministério Público pediu a retirada do programa do ar, mas o juiz optou pela proibição da presença de animais nas provas do mesmo. O descumprimento da decisão acarretará o pagamento de multa de cinquenta mil reais por cada programa que desobedeça a sentença.</p>
<p>Neste caso, a condenação foi o preço da arrogância e da soberba. A decisão só foi concretizada devido à recusa da Globo em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – acordo judicial mediado pelo Ministério Público – para cessar os abusos contra os animais.</p>
<p><strong>Controle público e social</strong></p>
<p>O fato concreto é que o episódio ilustra muito didaticamente os princípios e possíveis mecanismos de aplicação do conceito de controle público e social da mídia.</p>
<p>Longe de significar censura, o controle público e social é a prerrogativa da sociedade em monitorar, reclamar, denunciar e reivindicar adequações, correções, mudanças – nas legislações e demais políticas públicas, nos programas – e até sanções por conta de situações que, no âmbito dos meios de comunicação, sejam consideradas violadoras de direitos consagrados e/ou de leis.</p>
<p>O controle público e social pode ser traduzido e sintetizado, em boa medida, como participação e partilha de poder nos espaços decisórios.</p>
<p>O caráter público do conceito possui duas dimensões complementares: (1) é promovido em público, de forma transparente e aberta, usual, mas não exclusivamente, através de instituições públicas; e (2) realizado pelo público atento e ativo na defesa dos seus valores e interesses. E o caráter social reside nas consequências para o universo das relações sociais que tais ações geram.</p>
<p>A tradição sociológica sedimentou o conceito de controle social como o conjunto de ações do Estado que denotava e perpetuava o seu controle – pela coerção ou pelo convencimento ou cooptação – sobre a sociedade.</p>
<p>O atual conceito, revitalizado pelas experiências de accountability no mundo inteiro e consolidado – no Brasil – no campo da saúde por conta da constituição do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), nas últimas duas décadas, inverte o sentido do tradicional e vai ao encontro de um cânone da democracia: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.</p>
<p>As conferências e conselhos setoriais, as iniciativas do Orçamento Participativo e similares, a atuação vigorosa – embora não livre das contradições presentes na sociedade, registre-se – do Ministério Público e os cada vez mais numerosos projetos de monitoramento e crítica (como os observatórios, as ouvidorias e os ombudsmen, entre outros) aos diversos entes preponderantes nas relações de poder (públicos, como os órgãos e agentes dos três poderes, ou privados, como a mídia, as empresas, os partidos políticos etc.) compõem este imenso e complexo mosaico de mecanismos que conferem à sociedade capacidade de promover concertações pontuais ou mais ou menos amplas.</p>
<p>A construção de uma mídia democrática, politicamente plural, que deixe de violar os direitos humanos e passe a respeitá-los e promovê-los, é um dos objetivos da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), a se realizar em dezembro. Para isso, não é possível prescindir do debate sobre o controle público e social, algo muito mais concreto e palpável, aliás, do que a invencionice – proposta pelo governo – dos “temas sensíveis” que necessitarão do “quórum qualificado” de 60% para terem propostas aprovadas na Confecom.</p>
<p>Nesse debate, a única censura existente é a práticada pela própria grande mídia, que foge da discussão pública desqualificando a priori as reivindicações e os atores sociais, como se isso fosse suficiente para evitar o aprofundamento das transformações positivas a que assistimos no campo da comunicação. Como demonstra o professor Edgard Rebouças [1], essa tática de associar a idéia de controle público e social à censura faz parte da estratégia retórica dos donos da mídia para impedir a viabilização de qualquer ação que represente a mínima ameaça à sua hegemonia.</p>
<p>O fosso que circunda a velha cidade, para usar uma figura de Gramsci, não mais se apresenta tão intransponível como outrora, embora isso não signifique a proximidade da superação das contradições centrais da nossa sociedade, relacionadas a outro conceito tão atacado pelos novos cães de guarda do sistema, aquele conhecido como luta de classes.</p>
<p>Texto de Rogério Tomaz Jr. Jornalista, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e mantenedor do blog Conexão Brasília Maranhão (http://brasiliamaranhao.wordpress.com).</p>
<p>NOTAS:<br />
1 REBOUÇAS, Edgar. Estratégia retórica dos “donos da mídia” como escudo ao controle social. Revista Líbero, Ano IX, nº 17, p. 41-49, Jun. 2006.<br />
Extraído de http://www.direitoacomunicacao.org.br<br />
27.09.2009</p>
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		<title>Comunicação, a natureza humana e o fogão</title>
		<link>http://imprensacapixaba.org.br/comunicacao-a-natureza-humana-e-o-fogao/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 20:33:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aeiadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://imprensacapixaba.org.br/?p=465</guid>
		<description><![CDATA[Carlos Tourinho
Na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio – PNAD de 2008, o IBGE revela os bens de consumo mais presentes nos lares brasileiros. Qual foi o campeão?
a) o telefone;
b) o computador;
c) a televisão;
d) a geladeira?
O telefone está presente em 82,1% das residências; o computador já aparece em um terço dos lares brasileiros e a televisão é assistida em 95,1% deles. Mas o bem de consumo que reina é o velho e bom fogão. Está em 98,2% dos lares.
Há certas coisas na vida que parecem óbvias até que duvidemos disso. ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Carlos Tourinho</strong></p>
<p>Na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio<span id="more-465"></span> – PNAD de 2008, o IBGE revela os bens de consumo mais presentes nos lares brasileiros. Qual foi o campeão?</p>
<p>a) o telefone;</p>
<p>b) o computador;</p>
<p>c) a televisão;</p>
<p>d) a geladeira?</p>
<p>O telefone está presente em 82,1% das residências; o computador já aparece em um terço dos lares brasileiros e a televisão é assistida em 95,1% deles. Mas o bem de consumo que reina é o velho e bom fogão. Está em 98,2% dos lares.</p>
<p>Há certas coisas na vida que parecem óbvias até que duvidemos disso. O fogão é um exemplo. Todo mundo precisa de um e ponto final! Mas não seria razoável imaginar que num mundo marcado pela pressa, falta de tempo para cozinhar, forte indústria de alimentos prontos e franca expansão dos <em>fast food</em>, muitas pessoas poderiam abrir mão de ter um&#8230; fogão?</p>
<p>Seria razoável, mas não é a realidade. E por quê? A tecnologia e as facilidades têm seus limites. Embora a contemporaneidade aponte para a imaterialidade dos bens (não está sendo assim com a música e as notícias disponíveis na internet?), há uma fronteira difícil de ser superada que é a natureza humana.</p>
<p><strong>Invenções e fantasias</strong></p>
<p>O sociólogo e professor de Comunicação Ciro Marcondes Filho admite que o acesso ao imaterial proporciona amplas facilidades ao homem, mas defende que este não pode se privar da materialidade. Mais do que necessitar, o homem deseja usar os seus sentidos naturais. Daí a impossibilidade de que um dia aceitemos substituir a boa cozinha, com seus sabores, cheiros e prazeres, por práticos alimentos em pílulas, por exemplo.</p>
<p>E assim é em uma série de outras situações. Em <em>Dorminhoco</em>, o cineasta Woody Allen inventou a máquina do orgasmo individual; já em <em>Desafio Total</em>, Arnold Schwarzenegger sai de férias em uma viagem virtual a Marte sem tirar os pés do chão. O fato de o homem fantasiar com coisas deste tipo não significa que ele as deseje.</p>
<p><strong>Novos parâmetros sociais</strong></p>
<p>Este debate também se aplica à Comunicação. Os dados da PNAD 2008 mostram que boa parte dos bens de consumo adquiridos pelas famílias brasileiras é ligada ao desejo de se comunicar. Estão lá o telefone fixo e o celular, o computador e a internet, a televisão e o rádio. Meios de comunicação cuja convivência é motivo de controvérsia entre os especialistas. A internet vai acabar com os jornais e com a televisão? E o rádio? As experiências estão acontecendo: televisão e rádio dentro da internet, jornais de papel e livros transmitidos virtualmente para equipamentos portáteis, como o Kindle, que permite a leitura digital.</p>
<p>O papel já era? A televisão na sala da casa está com os dias contados? É evidente que a civilização humana se transformou e se transforma a partir da informatização, do processo digital e das comunicações on-line. Há novos parâmetros sociais. Mas não se trata apenas de saber se um aparelho ou processo substituirá ou não outro. Há de se estar atento à necessidade humana de saborear alimentos, se locomover com os próprios pés e ter acesso tátil e visual ao que lhe agrada. A resposta para estas inquietações pode estar naquele aparelho que com um ou mais orifícios, manufatura substâncias através de uma combustão rápida e persistente: o fogão.</p>
<p>Portanto, o fogão ficou, assim como ficarão o jornal de papel, o livro, o rádio e a televisão.</p>
<p style="text-align: right;"> <em>Carlos Tourinho é Jornalista, chefe de reportagem da TV Gazeta, Vitória, ES </em></p>
<p style="text-align: right;">29/9/2009</p>
<p> Extraído de <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/">http://www.observatoriodaimprensa.com.br</a></p>
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