Claudio Lachini incorpora Vasco Fernandes Coutinho em romance triunfal
A história do Espírito Santo tem um novo registro com a obra “Vasco – Memórias de um precursor da globalização” (Barcarolla, 264 pp.) romance histórico, do jornalista Claudio Lachini. O romance se passa nos dias derradeiros da vida de Vasco Fernandes Coutinho, um fidalgo português, que foi o primeiro capitão donatário da Capitania Hereditária do Espírito Santo, em que o personagem se deixa dominar pelas lembranças de lutas, conquistas e derrotas na Índia, Malaca, Meca, Ormuz e na China. Escrito na primeira pessoa, Lachini oferece os leitores uma suntuosa descrição histórica dos tempos dos navegadores, em que incorpora as dores e o orgulho do súdito português.
Vasco Fernandes Coutinho chegou à pequena praia de Piratininga no dia 23 de maio de 1535, que caiu em um domingo de Pentecostes, e por isso batizou a terra da qual veio a tomar posse de Espírito Santo. Com ele vieram 60 degredados, ex-prisioneiros que, a seu pedido, o rei dom João III libertou da prisão do Limoeiro, em Lisboa.
“Quem foi esse Vasco, excomungado pelo bispo dom Pero Fernandes Sardinha, aquele que os índios Caeté comeram no litoral nordestino?” Lachini responde essa pergunta. Além da excomunhão, a história brasileira registra bem pouco sobre ele. Frei Vicente do Salvador, o primeiro historiador nativo, escreveu que ele morreu tão pobre que não tinha de seu “nem um lençol para o amortalhar”.
Claudio Lachini lembra que, ao morrer aos 73 anos de idade, em 1561, o donatário tinha um engenho de açúcar, canaviais e quinze escravos negros, embora tivesse renunciado ao posto de capitão, forçado pela idade, pela doença e pelas intrigas armadas contra ele.
Ao contar as misérias humanas do herói, o romance narra de forma sucinta e bem engendrada que Vasco trouxe para o Brasil sua amante portuguesa, Ana Vaz, bem como o filho gerado fora do casamento, e seu herdeiro, igualmente chamado Vasco Fernandes Coutinho, o sexto desse nome na família.
“Esse mundo de Deus não me é estranho, porque aprendi a ver sua largueza onde o mar me levou e compreendi sua pequenez a cada ser humano que encontrei”, diz Vasco, que esteve na China em 1522 e de onde voltou fugido.
O desenvolvimento da narrativa é entrelaçado por diálogos fictícios e fatos históricos encontrados na extensa bibliografia pesquisada pelo autor. Para reconstruir o cenário de época descrito no livro e dar o sotaque lusitano à obra, Lachini trabalhou por mais de um ano em pesquisas e consultas bibliográficas. O autor recorreu a mais de 40 livros importados de Portugal, consultou o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, as bibliotecas da PUC-RJ e da USP, a Biblioteca da Universidade de Nova York, a Biblioteca Nacional de Portugal e o Arquivo Público do Espírito Santo.
Segundo o escritor e jornalista Geraldo Hasse, que assina a orelha do livro, a narrativa “tem um encantador sotaque luso antigo e traz à tona um Portugal esquecido, ainda que cantado por Camões”.
Entre outros livros, Claudio Lachini escreveu “Sperandio”, romance sobre a imigração italiana no Espírito Santo, lançado em 2007 pela Editora Barcarolla, de São Paulo. Se em seu primeiro livro de ficção e história Lachini deu vida a um imigrante italiano do século XIX, em “Vasco”, ele corporifica o personagem título, salvador de Arariboia isolado pelos Tupinambás e pelos franceses na hoje Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e constrói interessante diálogo com o jesuíta José de Anchieta. O livro foi patrocinado pelo Instituto de Ação Social e Cultural Sincades, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).










Este livro é indicado a todo capixaba que quer conhecer um pouco mais do homem que fez eta terra existir.
Parabens a Claudio Lachini!
Sou descendente do 1o Capitão do Espírito Santo, e de Marcos de Azeredo(genro de seu filho homônimo e de Luisa Grimaldi), outro injustiçado pelos historiadores.
Lachini, em linguagem magistral da época, nos oferece a verdade histórica na ficção do conto, algo tão difícil; que ele domina como grande mestre!
Na narrativa da saga do grande capitão, conduziu-me à época, utilizando o humor e o drama, de forma natural e espontanea, arrancando-me gargalhadas e lágrimas.
Curiosamente, meu saudoso e querido irmão mais velho Henrique, carioca como eu, repousa no solo sagrado do Espírito Santo, que ele escolheu para viver no ultimo terço de sua vida.
Deixou os pequenos Paula e André, renovando o sangue do capitão em terras capixabas, como se alguma profecia cumprisse…
Saudações!
Pedro Vianna Born.
Petrópolis,19.09.2009.
Deixe a sua resposta!
Publicação da
Blogroll
Arquivos
Patrocínio
Editado por
Mais Recentes
Mais Comentadas
Mais Visitadas