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Charles Darwin desembarca em Vitória

6 agosto 2009 597 visitas Sem Falas

beagalap339Passados 150 anos da primeira exposição das idéias de Charles Darwin, quando ele apresentou a teoria da evolução ao lado de Alfred Russel Wallace, na Sociedade Linneana de Londres, é difícil imaginar que o pai dele não acreditava ter um filho gênio. O sermão que Darwin, ainda jovem, recebeu do pai, era de que ele não levava nada a sério porque só sabia caçar e capturar ratos: isto significava não ser um profissional bem sucedido. Por sorte, Darwin foi perseverante e, com seu olhar especial voltado para a natureza, conseguiu responder a perguntas importantes que até então a biologia não explicava. Antes da teoria da evolução, tudo se explicava apenas pela obra divina.

Durante os estudos em Cambrigde (1809), é importante lembrar que Darwin também acreditava nas criações de Deus. Ao embarcar no barco Beagle rumo a América Latina, em 1831, entretanto, o naturalista se deparou com uma diversidade de espécies que acabaram com todas as suas crenças eclesiáticas. Dali em diante, sua percepção sobre a história da vida estaria ligada apenas às evidências lógicas e materiais.

Para tanto, Darwin recebeu o auxilio luxuoso de Alfred Russel Wallace, pouco conhecido, mas de grandeza imensurável. Naturalista como Darwin, Wallace passou dois anos no Brasil a partir de 1848, numa viagem de pesquisa que resultou no relatório “Narrativa de viagens no Amazonas e no Rio Negro”, uma preciosidade que contém as pesquisas que fez na região amazônica, onde chegou às mesmas conclusões que Darwin durante sua viagem no Beagle. Eles mantinham o hábito de trocar cartas sobre suas descobertas. Foi ele quem teve a idéia da sobrevivência do mais apto. De imediato escreveu a Darwin que, surpreso disse “nunca vi tamanha coincidência; se Wallace tivesse o esboço de meu manuscrito de 1842, ele não poderia ter feito um melhor sumário do mesmo. Seus termos ainda agora permanecem como títulos de meus capítulos”.

Em uma exposição sobre a biografia de Darwin, instalada no Palácio Anchieta, em Vitória será possível reviver aqueles dias de grandes descobertas e embarcar no velho Beagle para refazer a viagem mudou a forma do homem olhar para si mesmo e que se transformou na base da biologia contemporânea.  A exposição ficará aberta até 4 de outubro,  abrigando 400 objetos entre acervo de fotos, vídeos, documentos, objetos, réplicas e jogos interativos, além de animais vivos, como iguanas, tartarugas marinhas e jabutis. A entrada é gratuita.

Quando tinha apenas 25 anos, Darwin desembarcou nas Ilhas Galápagos – a mil quilômetros da costa equatoriana – onde conseguiu esboçar parte de sua teoria: de que os animais evoluem para se adaptar ao meio ambiente. A ilha abriga espécies raras de tartarugas gigantes, iguanas e pássaros. O naturalista percebeu, por exemplo, que o bico de alguns pássaros tinha um formato que permitia a quebra de sementes daquela região – uma adequação da espécie para a sobrevivência.

A visão de Darwin sobre o Brasil é parada obrigatória na exposição. Apesar de estar rodando o mundo, a mostra dos outros países não fala especificamente deste aspecto – ele foi desenvolvido para o público brasileiro saber quais foram as impressões de Darwin ao passar pelo país. É a visão de um viajante do século 19. Documentos deixados por Darwin, principalmente na segunda edição de seu diário, mostram o quanto ele ficou chocado ao notar o comércio de escravos. “Ele era inglês e a Inglaterra, neste período, já discutia a libertação dos escravos nas suas colônias. Os próprios avôs de Darwin lutaram pela abolição da escravatura na Inglaterra do século 18. Por isso, quando parte do Brasil, Darwin diz: graças a Deus estou deixando esta terra e espero nunca mais ter de pisar em um país escravocata.”

A passagem de Darwin ao Brasil tem emoções ambivalentes: ele fica desgostoso ao ver a escravidão ainda tão consolidada no país, mas fica maravilhado ao perceber a diversidade de espécies de animais e plantas. Foi o seu primeiro contato com a mata tropical. “Em um dos documentos deixados, ele diz que é fácil ser naturalista na Inglaterra, onde o ambiente não é tão diverso. O problema é observar os animais nas regiões tropicais: você enxerga uma borboleta voando, depois um outro inseto e ainda vê um verme na árvore”. As aranhas da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, também não escaparam ao olhar de Darwin: ele ficou maravilhado ao ver tamanha diversidade de espécies.

A mostra já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia (GO) e Curitiba (PR). Originária do Museu de História Natural de Nova Iorque (EUA), e adaptada ao público brasileiro pelo Instituto Sangari, a mostra recria a viagem do naturalista inglês, cujos resultados transformaram a maneira como a humanidade percebia a evolução das espécies.

A mostra também apresentará ao público uma programação especial, com um ciclo de palestras sobre a obra e a trajetória de Charles Darwin e sua influência nas diversas áreas do conhecimento científico. Para o ciclo estão confirmados importantes pesquisadores como Maria Isabel Landim, Sergio Lucena, Suemi Tokumaru, Yuri Leite, entre outros.

Serviço:
Darwin: Descubra o Homem e a Teoria Revolucionária que Mudou o Mundo
Local: Palácio Anchieta
Endereço: Rua Pedro Palácios, Cidade Alta, Centro, Vitória – ES
Abertura: 05 de agosto de 2009
Encerramento: 04 de outubro de 2009
Horários de visitação: De terça a sexta-feira, das 8 às 18 horas; sábados, domingos e feriados, das 10 às 18 horas
Entrada franca
Mais informações: www.darwinbrasil.com.br

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