Brasil, um país de contrastes
Pedro Valls Feu Rosa
Apenas 25% dos brasileiros contam com esgoto, e só 12% dos dejetos são tratados. Em nosso país, 20 crianças morrem diariamente por doenças decorrentes da falta de esgoto sanitário. Calculou-se, em 2005, que um investimento de R$ 180 bilhões resolveria este grave problema.
Li em A Tribuna que nos primeiros sete meses deste ano o governo gastou R$ 106,8 bilhões apenas com os juros da dívida pública, hoje calculada em R$ 1,4 trilhão. Somente para fins de comparação, no ano de 2007 os juros pagos pelo governo chegaram a R$ 160 bilhões, e neste ano o programa Bolsa-Família distribuirá R$ 10,9 bilhões, ou quase dez vezes menos.
No ano de 2007, a União gastou R$ 17,4 milhões com festas, homenagens e solenidades promovidas por órgãos públicos. Os gastos governamentais com propaganda, no mesmo período, alcançaram o valor de R$ 1 bilhão.
Anunciou-se em 2004 que de cada 4 brasileiros com mais de 60 anos 3 são desdentados. Somente em São Paulo, 68% dos adultos já perderam todos os dentes. 8 milhões de brasileiros não têm nenhum dente na boca, e cerca de 35% da população nunca foi ao dentista. Em 2001 constatou-se, com base em uma pesquisa feita pelo Tribunal de Contas da União, que a cada duas horas morre uma brasileira grávida, e que 90% destas mortes poderiam ser evitadas se à população carente fossem dadas condições de saúde.
Li em A Tribuna que no ano de 2007 foram destinados R$ 1,8 bilhão para ONGs e similares. Em 2006, R$ 2,8 bilhões. O Tribunal de Contas da União acredita que pelo menos 20% dessas entidades sejam de “fachada”.
Segundo um estudo elaborado pela empresa de consultoria Austin Asis, abrangendo as 50 maiores instituições financeiras do Brasil, desde 2002 os lucros dos bancos cresceram 89,5% e passaram de R$ 9,27 bilhões para R$ 17,58 bilhões.
Enquanto isso, em cada cinco brasileiros, dois só ganham o suficiente para comprar o básico, e outros dois nem para isso. Tradução: 81% da população brasileira, ou quatro entre cinco pessoas, vivem na linha de fronteira entre poder comprar simplesmente o básico para suas famílias. A quem duvidar destes dados, basta recordar que 65% da população não tem sequer conta-corrente em bancos. Acrescente-se que 60% do orçamento de uma família de classe média no Brasil é gasto com tributos e juros.
No ano de 2005, calculou-se que a economia brasileira perde com a corrupção de 3% a 5% do PIB. Isso equivale a R$ 72 bilhões – 60 vezes mais que o valor investido pelo governo em todo o setor de transportes no ano de 2004. Concluiu-se ainda que se a corrupção fosse reduzida em apenas 10%, a renda per capita dos brasileiros aumentaria 50% nos próximos 25 anos.
No ano de 2004, constatou-se que o Brasil é um dos países onde mais se joga comida fora – o desperdício aqui chega a incríveis 40% do que é produzido, e 44% das colheitas se estragam antes de chegar à mesa do consumidor. Nos Estados Unidos a perda não passa de 10%.
Li em A Tribuna que, nos últimos 10 anos, o Congresso Nacional contratou três novos funcionários a cada dia útil. Divulgou-se que a Câmara e o Senado custam R$ 11,5 mil por minuto, R$ 16,4 milhões por dia ou R$ 6 bilhões por ano. O custo anual de cada parlamentar brasileiro é de R$ 10,2 milhões, contra R$ 3,9 milhões da Itália, R$ 3,4 milhões da Alemanha, R$ 2,9 milhões da França, R$ 2,3 milhões do Canadá e R$ 2,2 milhões do México. Noticiou-se ainda o gasto de R$ 18 mil somente com serviços de chaveiro nos apartamentos funcionais.
No ano 2000 o MEC divulgou que apenas 4% das salas de aula das escolas públicas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tinham dicionário, 1 em cada 3 não tinham apagador e em 25% delas não havia lousa em condições de uso. Vamos aos resultados disso: em 2007 uma pesquisa do IBOPE concluiu que 68% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguem ler nada além de um anúncio de 5 ou 6 palavras.
Talvez, se todos estes irmãos nossos soubessem ler, tomassem conhecimento da frase de Chamfort, a proclamar que “a consciência é a presença de Deus nos homens”.














Deixe a sua resposta!