Jornal da AEI » Cultura

Biblioteca Pública comemora 154 anos

15 julho 2009 84 visitas Sem Falas

A Biblioteca Pública do Espírito Santo “Levy Cúrcio da Rocha” (BPES) completa amanhã (16/07)  154 anos de história. Neste dia a trajetória da instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Secult), quinta a ser criada no País, será narrada por meio de um bate-papo entre o historiador Fernando Achiamé e  o escritor Joca Simonetti. A programação do aniversário da BPES começa às 19 horas.

Por ser responsável pela promoção regular de ações culturais relacionadas ao livro e à leitura, a BPES terá direito a aniversário prolongado. Foi elaborada uma programação cultural para o mês de julho. Todas as atividades serão desenvolvidas no auditório da instituição. A entrada é franca.

A comemoração começou na segunda-feira (13). O primeiro convidado foi Gilbert Chaudanne, artista plástico francês e filósofo, radicado em Vitória. Ele falou sobre “Biblioteca e Imaginário”. Ontem, (14), foi a vez de Wilberth Clayton Salgueiro, professor de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que fez uma conferência, abordando a “Biblioteca e a representação do universo”.

A Biblioteca foi fundada em 16 de julho de 1855 em uma das salas do segundo pavimento do Palácio Anchieta, no governo do Presidente da Província Sebastião Machado Nunes, que doou os 400 primeiros volumes do acervo, entre brochuras e folhetos.
 
Ganhou notoriedade e suporte administrativo pela Lei nº 19, de 10 de maio de 1880, e foi instalada em sede própria na Praia do Suá em 1979. Ocupa uma área edificada de 1.458,5m2, onde podem ser encontrados clássicos da historiografia e da literatura capixaba e obras raras, em geral produzidas e/ou localizadas no Espírito Santo.
 
Em 17 de dezembro de 2004, pela Lei 7.958, passou a ser denominada Biblioteca Pública Estadual Levy Cúrcio da Rocha, em homenagem ao historiador capixaba.

Em dezembro de 2008, a população conheceu uma Biblioteca completamente remodelada, com setores como o Província, que guarda obras raras. O público agora também pode usufruir de divisões como as de periódicos, setor infanto-juvenil, obras gerais, processamento técnico, extensão, preservação, setor multimídia e setor Braille, equipado para atender deficientes visuais. 

Hoje (15), às 16 horas, as leitoras-guias Vanda Luiza Souza Netto e Célia Ribeiro comandam a “Roda de Leitura” em homenagem ao centenário de Euclides da Cunha. Elas farão a leitura de alguns trechos da obra “Os Sertões”, ícone da literatura brasileira.

O dia 15 de agosto de 2009 marca cem anos da trágica morte de Euclides da Cunha, listado entre os mais importantes escritores da literatura brasileira. Ele foi assassinado aos 43 anos de idade pelo militar Dilermando de Assis, amante de sua mulher Ana.

Apesar da formação em engenharia militar, a vocação de Euclides da Cunha sempre foi a escrita. Em 1897 viajou para Canudos, no sertão da Bahia, como correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”. Foi designado para a cobertura da Guerra de Canudos, quando o Exército Brasileiro enfrentou e derrotou a resistência popular. As reportagens que escreveu para o jornal paulista transformaram-se no livro “Os Sertões”,

Também hoje, às 19 horas haverá uma mesa-redonda que reunirá três grandes nomes da dramaturgia brasileira: Alcione Araújo, José Renato Pécora e João Pereira das Neves. Os três, que estarão durante o dia julgando os textos teatrais inscritos no edital de número 006 da Secult, dividirão suas experiências de trabalho com a platéia.

Alcione Araújo, um mineiro de Januária, é autor, diretor e professor. Sua obra busca a síntese entre o subjetivo e as circunstâncias, o psicológico e o social. Sua primeira peça foi encenada no final de 1974 em Belo Horizonte: “Há Vagas para Moças de Fino Trato”,  estudo psicológico do sofrido convívio de três mulheres e dos traumas que lhes são causados pels relações amorosas. No mesmo ano, o texto é encenado pelas atrizes Glória Menezes, Yoná Magalhães e Renata Sorrah, lançando o autor em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Desde então, a peça ganhou produções pelo Brasil e em outros países do continente. Em 1981, já morando no Rio de Janeiro, estréia como diretor com a peça “Doce Deleite”, uma colagem de doze esquetes cômicos, dos quais oito são de sua autoria. O espetáculo esteve no Estado em julho para uma curta temporada no Theatro Carlos Gomes.

O diretor paulista José Renato Pécora é fundador e idealizador do Teatro de Arena, movimento disseminador da dramaturgia nacional que domina os palcos nos 60, aglutinando artistas comprometidos com o teatro político e social. Foi ele quem dirigiu o espetáculo  “Eles Não Usam Black-Tie”, de 1958, considerado divisor de águas, que introduziu o nacionalismo no teatro brasileiro e lançou o primeiro texto do autor Gianfrancesco Guarnieri. São direções de José Renato, ainda no Arena, “Revolução na América do Sul”, de Augusto Boal, em 1960; e “Os Fuzis da Sra. Carrar”, de Bertolt Brecht, em 1962.

No Rio de Janeiro, em 1962, é contratado para dirigir o Teatro Nacional de Comédia (TNC). Ali estreou “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues. No mesmo conjunto, é o diretor de “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, em 1963. Seguem-se outras produções, entre elas “O Círculo de Giz Caucaziano”, de Bertolt Brecht, e “As Aventuras de Ripió Lacraia”, de Chico de Assis, levadas em repertório para todas as capitais do país.

O carioca João das Neves é diretor e autor. Durante doze anos criou espetáculos para o Grupo Opinião, um dos principais focos de resistência político-cultural das décadas de 1960 e 1970, onde escreveu e montou “O Último Carro”, metáfora do Brasil em um trem desgovernado. A peça ficou quatorze meses em cartaz no Rio de Janeiro, e posteriormente, foi para São Paulo.

Afinado com as propostas artísticas e ideológicas do Grupo Opinião, o diretor privilegiou a montagem de textos, tanto nacionais quanto estrangeiros, que serviram de enfoque para a situação política do Brasil nos anos da ditadura militar, tais como: “A Saída, Onde Fica a Saída?”, 1967, de Armando Costa, Antônio Carlos Fontoura e Ferreira Gullar;  “Jornada de Um Imbecil até o Entendimento”, 1968, de Plínio Marcos; “Antígone”, 1969, de Sófocles, numa tradução de Ferreira Gullar; “A Ponte sobre o Pântano”, 1971, de Aldomar Conrado; e “O Homem É Um Homem”, de Bertolt Brecht, tradução de Aldomar Conrado.

A programação será retomada quinta-feira (23), com uma Roda de Leitura, comandada por El-Buainin Vieira Machado Nunes, graduado em Letras, que desenvolve um trabalho na “Rede de Experiências em Leitura” da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Às 16 horas ele lerá “O seio nu”, segundo capítulo do romance “Palomar”, de Italo Calvino. El-Buainin coordena um projeto de pesquisa chamado “Roda de Leitura: Um encontro de Palomar e Italo Calvino”, que oferece leitura e análise de narrativas para aqueles que se interessam pela obra calviniana.

Na quarta-feira (29), às 18h30, acontece um “Debate-papo com o escritor, o crítico literário e o público”. O escritor convidado é Alessandro Darós, que teve o primeiro livro “Sqizo ou As Patas do Velho Sátiro” lançado por meio do edital de literatura da Secult.  O crítico literário da vez é Wilberth Clayton Salgueiro, professor de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Deixe a sua resposta!

Participe e deixe um comentario, ou trackback pode fazer uma referencia no seu site. Pode, ainda, subscribe to these comments assinar via RSS.

Participe, mas mantenha-se no topico. E evite spam.

Use estes marcadores:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Este site aceita Gravatar. Para ter o seu, registre-se em Gravatar.