Nau sem rumo
Publicado em: 10/03/11
O Brasil de Cabral visto do alto de seus 511 anos, é um país infectado, em seu DNA, pelo vírus da corrupção e da impunidade. Nossos futuros cidadãos, hoje maioria, menores delinqüentes, são ovacionados e aplaudidos, diante das câmeras de Tv´s, pelos seus atos de barbárie e banditismo.
As Unis (Unidades de Integração Social), espalhadas em nosso território, com raríssimas exceções, transformaram-se em Centros de Treinamento de Criminosos. Criadas para reeducar o menor infrator, elas, muito tem contribuído para marginalidade total dos indivíduos ali recolhidos. É só acompanhar os noticiários da imprensa, para que se constate essa triste realidade.
Hoje, nossos presídios são destruídos, batalhões e delegacias são tomados de assalto, no resgate de criminosos. Exemplo inquestionável da decadência vertiginosa dos nossos valores morais, transformando o país em verdadeiro campeão da marginalidade. Reflexo da impunidade reinante e da falência moral de nossas instituições. Os noticiários da grande imprensa, já não conseguem espaço, para noticiar tanta violência e tantos atos ilícitos. E ainda, grande parte dos poderes constituídos do país, vem sendo usurpados, por verdadeiras quadrilhas. Poucos, ainda sobrevivem e resistem aos assédios e aos encantos da corrupção, e já não existe lugar, para decência e moralidade. Os homens de bem e de moral, são sufocados, rotulados, perseguidos e hostilizados. E, enquanto os fora-da-lei desfilam em luxuosas carruagens, o país agoniza e se alimenta na fome, na miséria, na violência e corrupção, suas instituições usadas como fachadas no acobertamento de atos lesivos à sociedade. Uma verdadeira crise de identidade. Ingredientes que o coloca no caminho irreversível de uma violenta convulsão social. E, como se tudo isso, ainda não bastasse! Agora são os religiosos: Padres e Pastores,que atentam contra as leis, à ordem moral e religiosa.
E assim, como uma Nau sem rumo, ele, vai deslizando nas águas da impunidade, alheio e indiferente às ações dos piratas e dos ratos, que infectam e contaminam seu convés, expondo toda a sua tripulação aos riscos de uma epidemia de proporções catastróficas.
Como brasileiros, temos o sagrado dever de repensar o estado, exercer nossa cidadania e resgatar nossas instituições. Tornando-as fortes e independentes. Exigir grandeza e moralidade dos nossos representantes públicos, no cumprimento das leis e na obediência à Constituição. Sem isso, certamente, viveremos a catástrofe de um inevitável motim, ou o pior! O Naufrágio da nossa combalida Caravela.
Portanto, somente no voto, nos habilitaremos a promover a tão sonhada cidadania, que é a de torná-lo numa grandiosa nação. Para isso, o brasileiro precisa de educação, para poder pensar e aprender a votar…
Ângelo Fernandes é jornalista.
Presidente da AEI e
Membro do Conselho Deliberativo, Direitos Humanos
e Liberdade de Imprensa da ABI
E-mail: angelo@imprensacapixaba.org.br





